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24h, diversas fases...

A complexidade, dureza e duração de uma prova de 24H faz com que esta tenha que ser encarada como um conjunto de diversas fases que vão além da participação no evento em si.

Este é então um resumo de algumas fases pelas quais a malta da “Ó” DO VIDRO passou ao longo da participação em mais uma edição das 24H de BTT de Lisboa, que na verdade foram em Oeiras ao trocarem o Mosanto pelo Jamor e onde nem tudo correu pelo melhor.

A preparação

Este ano a “Ó” DO VIDRO inscreveu um total de 7 participantes, em que 3 optaram pelo desafio a solo formando os restantes 4 uma equipa nessa categoria.

A razão pela qual cada um se inscreve, além do motivo óbvio de gostar de andar de bicicleta por montes e vales e do convívio que isso proporciona, está na maior parte das vezes relacionada com o desafio pessoal e a concretização de objectivos.

Ninguém gosta de perder nem a feijões, mesmo que seja perder contra si próprio numa batalha psicológica passada dentro da cabeça de cada um, em que é sempre possível fazer mais um klm, ou tirar mais um segundo à volta do circuito.

Desta forma, e seja qual for o espírito, é sempre necessário alguma preparação física pois, nem que seja para pedalar apenas algumas horas esse tempo “pesa” nas pernas, ou não tivessem sido os circuitos exigentes nas edições passadas, algo que se esperava também em 2010.

Assim todos treinaram à sua maneira, mas não terá havido ninguém que não se tenha esforçado a dada altura com o objectivo de subir um pouco a fasquia, como o Nuno Portela (veterano nestas coisas de participar a solo) que estabeleceu um objectivo de 20 voltas e como tal foi visto (e fez-se ver à concorrência interna através de mails e fotos) a treinar com muito afinco juntamente com um dos “riders” mais fortes da equipa, o Paulo Batista, o Lopes que sempre que saia ao Domingo (especialmente com o Tiago) fazia questão de chegar a casa com uns bons 90 klms e muitas subidas nos músculos, e o Sérgio que mesmo durante a semana fez questão de pedalar “indoor” para não perder o ritmo!

Na equipa de 4 as coisas foram semelhantes com o Diogo a tentar constantemente manter o seu ritmo diabólico, o Martim a voltar às voltas de Bike com o pessoal de Alcains, o Clavículas que sempre que se dirigiu para a Serra de Sintra nunca o fez de outra forma que não “a fundo” e o Tiago, que aproveitou as últimas provas por onde andou para pedalar até cair para o lado, tendo ainda ido de bike (pela estrada) até à sua casa do Alentejo, mais ou menos a 200 klms.

Empenho não faltou a todos nesta preparação, inclusive ao Fernando que fez questão de estudar muito bem os moldes em que ia fazer marcar a sua presença.

E nada mais foi do que encarnar o papel de um fotógrafo, tendo decidido que iria trocar o GPS e pulsómetro pela máquina fotográfica, e o dorsal de participação por um “taylor” e “home made” em que se identificou de “PRESS “Ó” DO VIDRO” !

Mas não foi só aí que se esmerou.

Enquanto o resto da equipa adicionava ao treino puro e duro a preparação ao nível da alimentação, iluminação, arranjos mecânicos, afinações, upgrades à bicicleta, estratégia e táctica, o Fernando em colaboração com o Tiago (também conhecido por Director Desportivo) pensavam e estudavam sobre qual a melhor forma de organizar a presença da “Ó” DO VIDRO.

As informações concretas sobre a zona de acampamento tardavam em vir, mas cada vez mais se fazia prever o facto de que iriam ser bem piores do que o Monsanto.

É claro que as edições passadas das 24H de BTT colocaram a fasquia ao nível das condições de acampamento muito altas, afinal de contas estávamos dentro de um parque de campismo com tudo de bom (e de mau) que isso tem, o que pelo menos significava ter sempre por perto wc’s, duches, luz e água.

A participação também se tornava inegavelmente mais dispendiosa, pois para as equipas com muitos elementos (como já é o caso do “Ó”) é muito importante a existência de uma “base” logística onde todo o pessoal possa estar reunido e ter as suas coisas, mas pelo menos existia....mais ou menos (existiu sempre muita negociação à mistura)...a garantia de que determinado espaço estaria à espera deles.

Desta vez era véspera da prova e tanto Fernando como o Tiago ainda tentavam perceber como é que iriam fazer.

As informações eram contraditórias e tornava-se impossível perceber se algo tão simples como a colocação de uma carrinha iria ser possível ou não.

Na Quinta-Feira que antecedeu o evento o Fernando tentou guardar um spot, mas toda aquela que seria a zona de acampamento ainda se encontrava fechada a correntes e foi só mesmo na Sexta de manhã que surgiu a notícia de que era possível entrar e montar acampamento.

O Tiago já tinha dito ao Fernando de que não seria fácil ter condições porque o espaço não era nada mais do que um descampado ( em frente às piscinas Olímpicas) coberto em alguns locais por entulho, ferros retorcidos, areia e calhaus enormes que se revelavam verdadeiras armadilhas para os carros que lá tentassem entrar.

Tinha ficado combinado que assim que saísse do trabalho o Tiago se iria dirigir logo para o Jamor onde se encontraria com o Fernando para fazer o que fosse possível e assim que lá chegou....surpresa!!

 O Fernando já lá estava! E que belo espaço que ele havia marcado, não faltando até já montada a lona que identificava perfeitamente a nossa equipa, “Ó” DO VIDRO.

Saindo do carro com um sorriso nos lábios, o Tiago conversou então um pouco com o Fernando sobre a melhor forma de optimizar o espaço antes de seguir para umas voltas de reconhecimento do percurso.

O evento era no dia seguinte e eles não queriam que nada faltasse às tropas da “Ó” DO VIDRO!

No Jamor ficaram já algumas equipas a pernoitar. A boa vizinhaça que felizmente encontrámos ficou de “deitar um olho” às coisas que ficaram pelo espaço em troca de uma sopinha no dia seguinte.

Estavam lançadas as 24H BTT de Lisboa 2010!

Sábado de manhã

Apesar da prova apenas começar às 12h, o dia começou cedo para todos.

O Tiago encontra-se com o Fernando na “Ó” DO VIDRO eram 9 da manhã. Carregam-se as últimas coisas como a bela da sopa e da carne (picada e guisada) na “ambulância” e seguem para o Jamor.

Já tinham espalhado a palavra sobre o local onde havia sido definida a Base do “Ó” e quando lá chegaram já todo o pessoal da equipa os esperavam.

Todos menos o Clavículas. Apesar de morar relativamente perto só iria chegar mais tarde, mas ainda a tempo de aparar calmamente os cantos do dorsal. Questões aerodinâmicas testadas em túnel de vento!!

Em pouco tempo todo o “estaminé” estava montado com tendas, bikes, bancos, cadeiras, carrinhas, mesas, geleiras e garrafões de água organizados naquela que seria a casa de todos durante o fim-de-semana.

Nem faltou um gerador a trabalhar e a alimentar de energia eléctrica as geleiras, ao mesmo tempo que estavam disponíveis tomadas para carregar baterias das luzes, telemóveis etc. Um luxo no meio de condições tão precárias.

Como alguém noutro rescaldo escreveu de forma bastante elucidativa, o ambiente era de um verdadeiro “Woodstock”.

Ou então de um acampamento cigano gigante cheio de alumínio 7005, carbono e titânio!

Seja qual for a melhor definição e apesar das condições cada vez mais deprimentes, o ambiente foi igual ao que já se viveu noutros anos. Fantástico! Convívio puro e uma temática muito forte pelo meio que unia tudo e todos, o BTT!

À medida que as 12h se aproximavam aumentava a concentração daqueles que iam participar.

Os Solos, verdadeiros heróis, preparavam os últimos pormenores. Se o objectivo era o de pedalar durante várias horas a fio então não poderia faltar água, alguma comida e chegou-se mesmo a ver alguém com as luzes já montadas (só eram obrigatórias a partir das 19h!).

As equipas organizavam-se e definiam a melhor estratégia. Quem parte primeiro? Quantas voltas de cada vez? O que fazer se acontecer alguma coisa a meio da volta.

Para a equipa de 4 elementos – Clavículas, Diogo, Tiago e Martim – o objectivo estabelecido foi o de fazerem uma volta a fundo cada um durante o máximo de tempo possível, mesmo depois do cair da noite.

Este ano a partida seria feita ao estilo 24H de Le Mans, ou seja a correr para as bicicletas, algo explicado no brief. que antecedeu a prova.

Não seria pêra doce pois as mesmas estavam colocadas a uns bons 250 metros mais abaixo do arco de meta.

O Clavículas iniciaria as hostes da equipa de 4, os solos não tinham outro remédio senão alinhar à partida e prepararem-se para correr.

Chega o meio-dia , é dada a partida e a partir daí o cenário é surreal.

A música do Benny Hill ouve-se ALTO no sistema de som da organização enquanto centenas de pessoas vestidas de licra colorida e calçadas com sapatos de encaixe correm desajeitadamente em direcção às bicicletas como se estivessemde  saltos altos.

O público reage de imediato puxando pelos atletas, rindo e aplaudindo aqueles que conhecia e os que nem por isso, enquanto estes tentam evitar que as tralhas que trazem nas bolsas dos jerseys caiam e que as mochilas de hidratação saltem muito às suas costas.

O Clavículas arranca muito bem logo no grupo da frente chegando sem dificuldade à sua bicicleta a qual conseguiu retirar facilmente do suporte onde estava presa. Logo atrás de si vêm o Portela e o Lopes os quais seguem quase em simultâneo pista fora a pedalar, enquanto o Sérgio vem um pouco mais atrás e tem alguma dificuldade em “desengatar” a bike do meio da confusão que acaba por ficar instalada.

O Fernando pega na máquina fotográfica e inica as suas próprias 24H. PRESS “Ó” DO VIDRO ao trabalho!

Sábado à tarde

O Martim e o Tiago vão para o parque de estacionamento da Piscina do Jamor de onde conseguiam ver a exigente e perigosa descida que marcava o final da prova, já bem perto da meta, pois os 13 klms do circuito seriam rapidamente percorridos pelos atletas de topo do pelotão. Não estavam lá à muito tempo quando um dos fotógrafos do evento se apercebe destes e lhes transmite algumas notícias desanimadoras que iriam prever a desorganização existente ao nível da marcação e controlo do circuito.

-“Hey vocês estão a participar?” – perguntou ele.

-“Sim”. – responderam os rapazes.

-“Então vão avisar alguém da organização de que a malta que já está perto do estádio anda toda perdida, faltam fitas e ninguém se orienta!!”

Pensando logo que o Clavículas também pudesse ser um dos atletas “perdidos”, o Tiago arranca em direcção à meta onde fala com a Ana Teles a qual rapidamente entra em contacto com os elementos perto do local referenciado.

Haviam umas fitas que tinham caído...mesmo no início da prova.

Afinal o Clavículas não se perdeu e chega com um bom tempo, o Diogo que já o esperava tentando-se habituar ao novo sistema de “semáforos” na zona de trocas não perde tempo a arrancar pela gincana inicial assim que vê o número dele no LCD. Mas fá-lo a correr pois as curvas eram tão apertadas e havia tanta terra que era bem mais rápido do que tentar pedalar.

Os solos do “Ó” vão também chegando passados alguns momentos. Seria a primeira de muitas voltas e alguns só voltariam a parar quase 7 horas depois.

O Jamor é bem mais pequeno do que o Mosanto, e para criar um circuito com 13 klms a organização viu-se forçada a efectuar imensas zonas pararelas em que era muito fácil atalhar.

Infelizmente nem todos são fortes física e psicologicamente, na verdade há aqueles  que são completamente fracos de espírito e optam pela via mais fácil, o que perante as condições quase “oferecidas” pela organização nesse aspecto fez com que não resistissem a ignorar por várias vezes o percurso original. Pessoalmente não sei qual a satisfação de olhar para um tempo por volta menor do que o da concorrência se este não tiver sido feito da mesma forma que todos os outros...mas com certeza dará prazer a alguém.

Fora esse aspecto que na verdade tem mais a ver com a capacidade de controlo do circuito do que com a qualidade do mesmo, a pista estranhava-se mas entranhava-se.

Para quem conhecia bem o Mosanso como o pessoal do “Ó”, foi considerado como sendo mais difícil do que o percurso das últimas edições, excepção feita ao Diogo que achou o contrário.

Talvez essa elação fosse logo feita após se “escalar” a sua fase inicial com duas picadas com uma % de inclinação elevadíssma, assim como uma ou outra mais técnica.

Era quase sempre a subir até ao alto de Santa Catarina e era já lá perto que uma subida de cimento “partia” as pernas dos atletas volta após volta. A partir daí existiam vários singletracks muito divertidos a descer, com os atletas a rolarem a alta velocidade ao lado das rampas e drops construídos pela malta do “Down Hill”.

Vários eram também os ganchos que levavam a que fosse necessário desacelerar rapidamente, exigindo mesmo alguma técnica no controlo da bike e na troca de mudança de modo a que não se perdesse tempo, até porque a seguir a essas curvas apertadas vinha por norma uma inclinação  ascendente.

A organização poupou-se nas fitas e sem dúvida nas setas (inexistentes) o que levava a que  fosse por vezes complicado perceber para onde seguia a pista. Isto era particularmente verdade quando os atletas rolavam a alta-velocidade, e era muito fácil fazê-lo em algumas zonas.

As velocidades insanas que eram possíveis de atingir em alguns locais exigiam uma melhor marcação, mas também mais segurança que se deveria traduzir em mais elementos da organização disponíveis para prestar apoio caso acontecesse algo, mas também para evitar que os transeuntes incautos fossem para o meio do circuito e neste campo muitas haveriam de ser as situações desagradáveis...

Existiam 4 pontos de passagem por estradas abertas ao trânsito, locais que foram impecavelmente controlados pelos agentes da PSP que dia e noite geriram a situação da melhor forma. O nosso agradecimento pelo bom trabalho!

O segundo desses pontos era perto do court de ténis onde se realiza a final do Estoril Open (mais um evento com o nome de um Concelho que não se realiza no local que o batiza, mas sim no Jamor, que é Oeiras), em que os atletas tinham que aplicar toda a sua técnica numa descida pronunciada e estreita (literalmente escavada numa encosta) que acabava no alcatrão, passando depois através do espaço deixado por uma secção da vedação arrancada para o efeito.

O problema é que o desnível provocado pela base de cimento da vedação era muito alto e várias foram as pedaleiras dos que tentaram descer que se “queixaram”.

Mais tarde, mas só mais tarde, é que foi colocada uma rampa....

A partir daí era sempre a fundo até ao Rio Jamor o qual teria que ser atravessado, o que fez com que embora a ideia original fosse a de fazer o pessoal molhar os pés, o facto de não existir controlo nenhum levou a que a maioria preferisse (e muito bem porque o rio Jamor não é propriamente o mais limpo de Portugal) o paredão mesmo ao lado, que oferecia uma alternativa mais “seca”. Ainda assim tanto num lado como no outro era necessário pegar na bike e levá-la para o trilho que se encontrava num nível superior. Uma dificuldade interessante que se tornava cada vez mais difícil com o passar das horas.

Os klms que se seguiam levavam os participantes em direcção ao topo do Estádio Nacional onde passavam por trás da bancada presidencial.

Era nessa zona que existia a última subida pronunciada do circuito junto à vedação que delimita o Jamor da estrada.

Quem estivesse envolvido num “picanço” e conseguisse enfrentar essa picada com forças dificilmente seria apanhado até ao final. Era curta mas pronunciada, e umas pedaladas fortes no fim poderiam fazer a diferença, já que a seguir tudo o que havia era um maravilhoso singletrack a descer.

Na verdade toda a sequência seguinte até à capela do Alto da Boa Viagem era composta por um encadeamento de estradões e singletracks rapidíssimos, e aqui era possível ganhar tempo atingindo velocidades altas,  muito altas!

Passando a capela, os participantes eram levados até a um dos parques de estacionamento da zona Norte do Jamor e aqui era um dos locais mais flagrantes ao nível da possibilidade de batotice, pois tratava-se de um descampado onde era possível atalhar por qualquer lado, sendo até fácil haver atalhanços involuntários por puro engano.

A recompensa por essa zona desinteressante seriam talvez os estradões rapidíssimos que ligavam essa secção até à parte de trás das Piscinas onde existia a já referida descida perigosa, a qual era composta por um gancho à esquerda ao lado de umas escadas, uma pequena recta seguida de gancho à direita e descida a pique pelo meio dos pinheiros, existindo uma vala no final para dificultar tudo, assim como uma vedação, sendo necessário fazer um gancho à esquerda e pedalar forte até à meta que ficava uns metros mais abaixo após a última travessia controlada pela PSP.

Essa vala no final seria a culpada por muitas das quedas desta prova e a qual provocou uma baixa na nossa vizinhança ao mandar um dos vizinhos para o hospital com uma clavícula partida. Desde já as nossas melhoras para ele!

Foi nesta pista que sempre num ritmo constante o Portela o Sérgio e o Lopes pedalaram horas a fio, chegando mesmo a efectuar tempos interessantes para quem não era rendido por ninguém ao final de cada volta.

Quanto à equipa de 4, encontrava-se altamente motivada e muito forte fazendo vários tempos canhão na ordem dos 35 a 38 minutos, o que fixava a sua média total nos 39m o que era o suficiente para por volta das 17h estar em 4º lugar!

Mas é então que a sorte se acaba com um telefonema do Clavículas!

-“Pessoal parti a corrente, ainda tenho alguns klms pela frente e vou demorar, alguém que entre por mim e anule a minha volta!”

Não havia nada a fazer e o Diogo arranca.

A marcação entre as equipas da frente era tão cerrada que foi o suficiente para cairem para 11º lugar...havia que fazer tudo de novo...!

Nos solos as coisas também não estavam bem para o Sérgio que espeta uma cavilha no pneu e acaba por perder bastante tempo a colocar uma camera-de-ar, mas também calhou bem para descansar um  pouco.

O Sol põe-se mas ainda há tempo para uma peripécia.

Uma abelha entra dentro da boca do Martim enquanto este pedala furiosamente e pica-lhe o lábio que incha de imediato.

Acaba por terminar a volta sem problemas mas não foi agradável...

A noite

É aqui que se decidem as 24h porque é muito fácil vacilar nesta fase.

O cansaço e maior dificuldade de rolar à noite fazem com que seja bastante fácil baixar o ritmo e parar porque é isso que o corpo pede.

Ignorando todos os pedidos e toda a lógica, alguns (não muitos) atletas continuaram de noite como andaram de dia, no máximo. Aquele fim-de-semana era para andar de bicicleta até ao limite mas o problema é que vários já o tinham atingido.

Como estávamos em Setembro estas 24h não usufruiram das horas de Sol das edições anteriores, realizadas em Junho onde existem os maiores dias do ano, pelo que às 19.30 já era noite escura! Só haveria luz natural quase 12h depois...é muito tempo!

As primeiras voltas nocturas da equipa de 4 ainda foram feitas ao ritmo de uma volta por cada um, pois o plano estabelecido focava-se em manterem o ritmo elevado durante o máximo de tempo possível.

Os tempos canhão continuaram, e mesmo o Clavículas que insistiu em não comprar luzes e utilizar umas emprestadas se conseguiu safar, embora tenha feito todas as voltas com o coração nas mãos, às vezes sem luz, e teve ainda tempo para partir o suporte da bateria.

Escura como breu, a noite era o cenário ideal para os batoteiros, e vários foram aqueles que foram vistos pelo pessoal do “Ó”...!

De facto, os rapazes a solo acabam por ser aqueles que mais vêm essas situações pois passam mais tempo em pista, pelo que chegaram mesmo a dobrar atletas que mais tarde vinham de novo a aparecer à sua frente! Frustrante....!

Talvez para esquecer, tanto o Lopes como o Portela fumaram um cigarrito (ou um Garret como diz o Lopes). Nada melhor quando os pulmões devem estar mais do que abertos, e talvez uma táctica por parte do Lopes para boicotar a prova do Portela, o seu principal concorrente...nunca saberemos qual foi a realidade.

À medida que as horas vão passando apenas os verdadeiros “duros” permanecem em prova.

Embora haja sempre alguém a pedalar, e a zona de trocas na meta tenha sempre agitação, a verdade é que é possível fazer alguns klms em pista sem encontrar ninguém, o que fez com que muitos atletas, principalmente os solos, optassem por formar pequenos grupos com mais ou menos o mesmo ritmo, o que ajudava a suportar o desgaste e sempre se evitava a solidão.

O cansaço acumulava-se nas mentes e nos corpos de todos, mas era difícil descontrair devido à exigência do circuito, e muitas eram as armadilhas escondias pela escuridão que se espalhava cada vez mais um pouco por todo o lado, à medida que os holofotes do Estádio Nacional e os candeeiros de alguns estacionamentos eram desligados.

Quem quisesse ir durante a noite ao wc teria que andar bastante já que eles eram bastante distantes da zona de acampamento. Logisticamente representava ou andar imenso a pé, ou voltar a pegar na bike. Tanto uma opção como a outra não eram de todos agradáveis para quem já tinha imensas horas em cima do selim. Mais um pormenor mal pensado...!

E se a ideia era a de tomar um duche então mais valia esquecer, porque a partir de uma certa hora por e simplesmente foi fechado até ao amanhecer...

Várias foram então as situações caricatas como alguém que gritava através de um megafone em jeito de protesto:

-“Quero ir cag*r! Quero ir cag*r!”

Não fazemos ideia se ele foi ou não e se foi em que sítio deixou o presente!

A noite vai passando e a malta da “Ó” DO VIDRO foi-se aguentando tendo os solos feitos algumas (curtas) pausas, com excepção do Sérgio que ainda dormiu umas belas horas.

Na equipa de 4 as voltas continuavam a ser intensas pelo meio do escuro que parecia não querer desaparecer.

Todos chegaram a fazer praticamente 4 voltas durante a noite...já chegava.

E também já chegava de batotice pois embora tivessem subido de 11º para 6º voltaram de novo a dada altura a cair para 10º...estranho quando nenhum dos rapazes foi ultrapassado!

Foi o Martim que fez a primeira volta em que o Sol voltou a mostrar a sua graça.

Agora era aguentar o resto!

O Domingo

O problema de descansar à noite é que voltar a sair da tenda quando na verdade não se descansa quase nada é horrível.

Os músculos estão moles e frios, meter na cabeça que se tem que voltar a agarrar na bike só por si é um mau pensamento!

A grande questão é a de que se a opção foi não descansar, é mais do que normal que se paguem dividendos, pois aguentar tantas horas seguidas é um desafio extremo!

O meio-dia está quase aí mas ainda falta o “quase...”!

Essas curtas horas da manhã parecem uma eternidade.

Existem vários ritmos que ainda se vêm na pista mas apenas as equipas de 4 e de 8 (algumas) têm energia suficiente para voltas rápidas.

Esta fase é muito complicada para os solos que já literalmente se “arrastam” em algumas secções do percurso, e mesmo as  equipas a pares de deparam com dificuldades físicas

A luta nas equipas de 4 intensifica-se...!

Com o raiar do dia os problemas de luzes do Nuno deixam de existir e este já pode rolar rápido, mas o Diogo acaba por decidir não pedalar mais o que representou algumas alterações ao nível da ordem com que cada um dos elementos se iria fazer à pista.

A marcação entre as equipas da frente continuava muito agressiva  e embora tivessem perdido uma volta (anulada quando o Clavículas partiu a correente) estavam em 7º lugar separados do 6º e 8º lugar por muito pouco tempo!

Havia que aguentar o ritmo e todos se esforçam ao máximo, encontrando de vez em quando os heróis a solo da “Ó” DO VIDRO, Lopes, Sérgio e Portela, nos trilhos onde já haviam pedalado centenas de klms.

É também nesta altura que o Jamor começa a encher-se com os atletas de Domingo e famílias que se passeiam um pouco por todo o lado, o problema é que devido à falta de “mão-de-obra” por parte da organização não havia ninguém a controlar zonas chave do circuito que deveriam ser de acesso limitado.

O Tiago acaba mesmo por fazer várias razias a pessoas e carrinhos de bebé, situações que poderiam ter descambado para verdadeiras complicações!

Também por falta de controlo em zonas perigosas o Tiago acaba também por parar junto a um atleta caído e que possivelmente havia fracturado a perna...

E foi aqui que ele e todos os que estavam no local se aperceberam de mais uma falha. O dorsal não possui qualquer número de emergência para onde se possa ligar em caso de acidente.

Felizmente tinha consigo o número da Ana Teles.

Mesmo assim acabou a volta com 40m, tendo o Martim arrancado de imediato para aquela que seria a última volta da equipa de 4 da “Ó” DO VIDRO.

Ele pedalou forte, muito forte, mas é ultrapassado no último minuto pela equipa que ocupava o 8º lugar e acabam por ser os rapazes do “Ó”  que vão parar a essa posição a 12 segundos do 7º lugar...! Intenso.

Por esta altura tanto o Lopes como o Sérgio dão por terminadas as suas provas acabando com 17 e 13 voltas respectivamente.

Apenas o Portela ainda mostra as cores do patrocínio na pista. O seu objectivo de 20 voltas está apenas a uma volta de distância e ele não ia deixar que nada se metesse no seu caminho.

Quando faltam escassos minutos para as 12h ele cruza a meta...! Ainda pode fazer a desejada volta mas é necessário acabar antes das 13h!

Para o resto do pessoal estavam terminadas mais umas 24H de BTT e era altura de começar a desmontar tudo.

E eis que chega o Portela com as 20 voltas em cima. Havia conseguido terminar dentro do tempo limite e acabou o evento com 260 klms em cima...! De respeito!!!

Os rapazes portaram-se todos muito bem, os amigos e familiares que estiveram presentes apoiaram e ajudaram no que puderam e o Fernando acabou o fim-de-semana com milhares de fotos no cartão de memória! Objectivos cumpridos!

Só que foi um sabor agri-doce que ficou na boca de todos....

Se por um lado voltou a ser bastante divertido, por outro as condições oferecidas pela Escola Aventura em troca dos 40€ por pessoa não foram suficientes.

Se o IDP não possui qualquer experiência na organização deste tipo de eventos a Escola de Aventura sim e sabe de cor e salteado aquilo que deve existir, tendo havido uma enorme regressão ao nível de coisas que já eram dadas como garantidas em edições anteriores, como controlo intermédio de chips, balenários, marcações...,entre tantas outras coisas!

Fica a questão no ar...como será para o ano....?

Falta apenas uma coisa neste rescaldo.

FERNANDO ÉS GRANDE!!!!!! Continuamos a agradecer toda a tua ajuda e todo o teu empenho. Sem a “Ó” DO VIDRO as 24H (e principalmente esta edição) seriam muito mais difíceis!