Aventura em Cuba...
Bem perto da Vidigueira e de Portel (locais míticos do BTT nacional) está Cuba.
Não de Fidel Castro mas do Alentejo, e já com Beja no horizonte, esta Vila encanta pelas ruas imaculadamente limpas e pelo simples casario branco que de quando a quando contrasta com edifícios mais imponentes, lembrando que ali já existiu outrora grande riqueza. A própria Sé impressiona pela sua dimensão, e perfeito estado de conservação!
Independentemente da riqueza que existe actualmente, os nosso “Cubanos” já são ricos numa coisa, na capacidade de receber, e de organizar eventos de BTT.
A presença da “Ó” DO VIDRO foi feita pelo Tiago que rumou de novo aquela zona do Alentejo juntamente com o seu amigo Nuno para mais um dia de BTT.
Preferiram ir na véspera para evitar desgastantes viagens de madrugada, e por isso pernoitaram na Vidigueira mesmo em frente onde costuma ser a partida da Maratona daquela localidade, tendo jantado num típico restaurante em Cuba depois de terem ido levantar os dorsais.
Após uma volta pela Vila para desmoer o jantar, regressaram à Vidigueira para colocarem os dorsais nas bikes, e dormir.
Como estavam tão perto foi apenas necessário levantarem-se às 7h20m da manhã, e quando o Tiago abriu a janela nem queria acreditar...
O céu estava coberto de nunves cinzentas e corria mesmo uma aragem fresca, que em nada tinham a ver com a previsão de 29 graus que tinha visto na net.
Ao pequeno-almoço, o dono da pensão confirmou que também o dia anterior tinha amanhecido assim, e como tal, a única coisa que haveria a recear seria então o Sol intenso a queimar a pele depois das nuvens abrirem.
Pouco depois das 8h já estavam em Cuba e após um aquecimento foram para a meta.
No meio da confusão nem se percebia o número real de atletas que estavam presentes, mas assim que foi dada a partida e todos arrancaram em força cedo deu para perceber que eram muitos...
Pelo menos mais do que 400, pois apesar das 500 inscrições terem esgotado, de certeza que não foi toda a gente. Só amigos dos dois rapazes eram 3 as ausências; o Sérgio e o Martim da “Ó” DO VIDRO e um amigo do Nuno.
Mas eles que ali estavam arrancaram em bom ritmo, com o Tiago a rolar pelo meio da agitação inicial com o objectivo de se aproximar de alguém com um ritmo semelhante.
Isso não aconteceu durante os primeiros klms de uma maratona que se começava a prever que seria composta essencialmente por “parte pernas”, já que embora fossem alternando entre estradões e caminhos mais estreitos, o “sobe-e-desce” era constante.
Uma das particularidades desta prova é o facto de que o circuito da Meia-Maratona se cruzar várias vezes com o da Maratona, existindo várias separações e uniões.
Logisticamente isso foi bem conseguido pois dessa forma a organização conseguiu partilhar quase todas as Z.A..
Como era logo aos 16 klms, o Tiago nem parou na primeira zona de assistência pois estava a sentir-se bem e a rolar forte, até porque tinha “perseguido” uns quantos atletas que estavam em grande ritmo, mas apercebeu-se depois que eles iriam para o percurso menor.
Entretanto o João Pereira da BTT TV já tinha tirado uma foto ao “Ó” e gritado pelo “Vidrinhos”! O João é já um ícone do BTT Nacional!
A organização preparou uma “Zona de Espectáculo” perto de uma barragem, onde quem quisesse podia assistir aos atletas a percorrerem um “parte-pernas” aos “S”, sendo que passariam depois por cima do próprio paredão.
Quando chegou a essa zona o Tiago vê os primeiros classificados a passarem por cima do paredão, mas ele teria ainda que percorrer todo aquele caminho coberto de ganchos que tanto eram a subir como a descer, mas sempre cheios de pedra solta e pó.
E por falar em pó, pelo menos não era tão intenso como era no início quando os atletas dos dois percursos rolavam juntos.
O paredão foi feito sempre a fundo, e aqui seria a objectiva do Tobias da BTT TV a fotografar o Tiago, ficando depois em nova foto mais à frente na Z.A., mas esta tirada pelo João.
Nesta zona os atletas de ambas as provas juntavam-se de novo, e a curta pausa talvez nem de 30 seg. para apanhar uma laranja que o Tiago fez foi logo suficiente para que alguns participantes que ele tinha deixado para trás o passassem a alta velocidade.
Havia que recuperar e pedalar com uma cadência certa pelo meio dos estradões e mesmo alguns singletracks que existiram.
Apesar de perto do Mendro, esta prova não leva os atletas a esse topo como acontece nas provas da Vidigueira e de Portel, o que é bom pois assim permite a quem vai essas Maratonas ficar a conhecer outros trilhos.
Ainda assim, o Tiago teve a sensação de ter passado por alguns de Portel, mas não foram as magníficas vinhas que um pouco por todo o lado pintavam de verde a paisagem que já começava a ficar seca.
Eis que num controlo está de novo o João da BTT TV que desta vez convida o Tiago a tirar uma foto a seu lado, algo que foi logo aceite com agrado.
Após o registo para a prosperidade, o Tiago continua “sempre a abrir”.
Nunca quebrou e sentia-se bem, pelo que não fez mais nenhuma paragem até ao final.
Apesar de ter apenas 1100m de acumulado para 68 klms, existia ainda um último grande desafio já bem perto de Cuba.
A subida a uma pequena ermida no cimo de um monte que representava o ponto mais alto da prova, traduziu-se numa picada com uma inclinação muito exigente...até porque os klms nas pernas já eram alguns!
Com o fim da subida em mente, e lembrando-se do gráfico de altimetria que dizia que a seguir existia uma grande descida, o Tiago concentra-se em apanhar um atleta que estava mais acima, e em manter atrás de si um que o tinha passado a ele no início, mas que havia conseguido ultrapassar entretanto, e que o seguia perto.
Objectivo cumprido, o rapaz da “Ó” DO VIDRO entra na descida bem perto do participante que queria passar acabando por fazê-lo numa zona mais técnica.
A partir dali seria rolar em estradão com tendência ascendente durante alguns klms, até entrar numa estrada de alcatrão já com Cuba pela frente.
Era o tudo por tudo, e o Tiago consegue ainda passar alguns participantes nessa zona, deixando definitivamente os outros dois para trás, mas é então que passa por ele um outro que tinha visto parado na última Z.A.
E que rapidez...! Nem parecia que tinha 68 klms nas pernas pois passou muito forte pelo Tiago que não o conseguiu acompanhar chegando um minuto depois dele à Vila de Cuba, onde todos os participantes eram recebidos pelo speaker que anunciava o seu número de fontal pelo microfone. Excelente!
Uma vez que ficou um pouco à espera do Nuno o Tiago aproveita para tirar ele próprio umas fotos à malta da BTT TV.
O almoço estava óptimo mas demorou a ser servido, e já os rapazes tinham comido a entrada de gaspacho quando os dois últimos participantes dos 68 klms cruzam a meta com 4h 40m de prova, ao som das palmas e ovações da multidão que estava na zona do almoço mesmo ao lado do final da prova.
O verdadeiro espírito do BTT no seu melhor, e mais um fantástico dia no Alentejo!!
Mais uma aventura da “Ó” DO VIDRO!
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