www.odovidro.com

 

Últimas      Idanha-a-Nova - Zarza la Mayor 2010
Imprimir esta páginaAcrescentar aos Favoritos

Idanha-a-Nova  - Capital do BTT...?

Que a zona da Raia Beirã é um local fantástico para a práctica de actividades ao ar livre não é novidade para ninguém que adoptou esse estilo de vida.

A zona possui uma beleza natural fabulosa, e é o local de passagem de imensas pequenas e grandes rotas como a famosa GR22, compostas por trilhos milenares que já foram percorridos por (e  talvez sem qualquer exagero) milhões de pessoas ao longo dos séculos.

Hoje em dia são muitos os praticantes de BTT que por lá passam, quer por iniciativa própria, ou em algum dos pelo menos dois grandes eventos organizados naquela Vila.

São eles os Trilhos da Raia em Outubro, que leva os participantes até à aldeia mais antiga de Portugal, Monsanto, e a Maratona em questão, a já mítica Idanha-a-Nova Zarza la Mayor.

Não sendo a primeira vez naquela prova para alguns dos membros da “Ó” DO VIDRO, o Tiago iria pela primeira vez experimentar a loucura dos sinlgetracks do Rio Erges, um dos ex-libris daquele evento.

Ele estaria acompanhado pelo Carlos, Diogo e Fernando, que se dirigiu a Idanha-a-Nova com o objectivo de participar no seu último evento organizado.

Ao contrário do que é habitual aquando da realização desta prova,  e apesar de já estarmos em Maio, o dia amanheceu escuro e frio, o que não convidava de todo aos famosos banhos no Rio Gens, cuja origem remonta ao facto de por norma o calor apertar imenso durante esta maratona. Nada seria assim nesta edição!

O Diogo chegou bem cedo e levantou os dorsais da “Ó” DO VIDRO, chegando o Tiago e o Carlos um pouco mais tarde, mas foi o Fernando que chamou mais a atenção das centenas de participantes que já andavam pela zona de meta quado chegou no já famoso “camião” do “Ó”, juntamente com a Ana, a Patrícia e a Carolina.

As nuvens negras que cobriam o céu pouco antes do início desta Maratona faziam antever a chuva que se preparava para cair.

Uma das grandes mais-valias de ambas as provas  à pouco referidas, é que nenhuma utiliza os percursos de outra, pelo que o Tiago, habituado a entrar e sair da Vila pela mesma direcção, não fazia ideia de que uma das faces de Idanha é na verdade um enorme penhasco, mas por onde serpenteia uma fantástica calçada cheia de curvas em cotovelo, pela qul os mais de 1000 paticipantes (um record) tiveram que descer logo no início.

Mas com tanta gente tornava-se complicado aproveitar toda a inclinação descendente na sua plenitude, e foi isso que o Fernando preferiu deixar todos partirem, arrancando apenas quando já tinha caminho livre à sua frente.

Por outro lado, o Diogo e o Tiago seguiam já juntos ziguezagueando pelo meio da multidão, enquanto o Carlos rolava apenas um pouco mais atrás.

O cheiro a pastilhas queimadas, e o calor emanado pelos discos era impressionante, pois apesar de tudo tornava-se impossível não reduzir a velocidade quase  “zero”, isto para evitar parar como alguns participantes que insistiam em desmontar em alguns locais mais complicados.

No entanto, o arranque inicial tratou-se de uma falsa partida, já que era no final da calçada, que após o reagrupamento do pelotão, o cronómetro era colocado em funcionamento.

E parecia que tinha sido o sinal necessário para que as primeiras gotas de chuva começassem a cair. Eram expessas, e depressa se tornaram cada vez mais constantes, até que resultaram num forte aguaceiro que molhou, e gelou o espírito de todos.

Tudo ainda estava no início, e já se estava a tornar difícil.

O Diogo e o Tiago cedo adoptaram um ritmo semelhante (e até forte) no início, enquanto o Carlos seguia um pouco mais atrás, e o Fernando fechava o pelotão.

A separação de ambos os percursos era logo no início, e quem voltava à direita em direcção a uma grande recta com tendência descendente iria rumar para os 104 klms.

Mas houveram alguns para os quais a viagem acabou ali...!

Provavelmente alguma travagem mais forte “assustou” algum dos atletas que seguiam em grupo, e onde a distância entre todos devia ser mínima, pelo que a colisão foi inevitável e tudo o que o Diogo e o Tiago já viram foi um cojunto de bicicletas literalmente “engatadas” umas nas outras e uma participante feminina bastante mal tratada no chão.

Um lembrete ao perigo que acaba por estar sempre presente nesta actividade, mas que é tão recompensatória que vale qualquer risco!

Longe das confusões, o Fernando furava, e atrasava-se bastante do grupo...

Apesar de gostar de andar sem olhar para o relógio, o facto de já estar tão longe de todos, molhado, e frio, fez com que aumentasse bastante o ritmo até à primeira Z.A. Objectivo: apanhar o “primeiro” dos últimos, e assim  fez, integrando-se de novo no pelotão.

Após terem auxiliado um participante com uma corrente partida, chegados às margens do Rio Erges, o Diogo que havia percorrido aqueles trilhos em 2009 avisou o Tiago:

-“É agora que a diversão vai começar!!”

Não foi de certeza tão divertido como teria sido com  tempo seco e quente, mas não foi o terreno ligeiramente elameado, ou as pedras um pouco mais escorregadias que estragaram completamente a diversão!

Não tendo na maior parte das vezes ninguém à sua frente, os rapazes da “´Ó” DO VIDRO rolaram sem problemas superando a maior parte dos obstáculos sem dificuldade, enquanto as águas límpidas do rio os acompanhavam ao longo dos singletracks.

Apesar de tudo, uma vez que os aguaceiros foram bastante localizados, os trilhos não estavam “encharcados” como por exemplo em Serpa, pelo que sempre que possível era fácil aumentar o ritmo.

Mas também era ali que as subidas começavam, e até Salvaterra do Extremo o “parte-pernas” era Rei!

A tendência era ascendente até aquela localidade, e começava-se a andar em cotas superiores, como atestavam alguns marcos geodésicos que se encontravam pelo caminho.

Uma vez em Salvaterra era altura de desbloquear os amortecedores...! À frente dos atletas uma fantástica (e tecnicamente exigente) calçada romana extendia-se à sua frente durante alguns klms, o que antecipava elevadas doses de adrenalina.

De facto, era necessário alguma contenção, pois os drops e as pedras lisas e redondas levavam os mais corajosos a ritmos proibitivos, levando o corpo e o material ao limite.

Entusiasmados, tanto o Tiago como o Diogo rolavam cada vez mais rápido, tudo até colocar tavões a fundo porque alguém estava a abrandar...

-“Esquerda...direita...com licença!” foram as palavras necessárias para não colocar os pés no chão, o que seria um crime naquele trilho fabuloso!

Mas iriam pagar alguma audácia pois apesar de comandarem bikes de suspensão total, nem toda a tecnologia aplicada a geometrias e sistemas complexos de amortecimento iriam evitar a dor nos braços e nos dedos provocada pela incessante trepidação.

A exigência técnica requeria uma constante atenção aos obstáculos, e como tal as mãos teriam sempre que seguir um pouco “tensas” com os dedos indicadores preparados para aplicarem força nas manetes de travão se fosse necessário imobilizar a bike repentinamente.

Como tal as mãos não estavam completamente colocadas nos punhos, o que iria permitir uma maior distribuição das pancadas pela totalidade da palma. Toda a porrada aliada ao frio acabou por provocar algumas dores incómodas que iriam acompanhar os rapazes até ao final.

Após 50 klms de prova chegava-se à fronteira, que nada mais é do que uma pequena barragem/paredão/ponte numa praia fluvial luso-espanhola.

Tudo é pacífico agora, mas um castelo espanhol ainda guardava a fronteira dos possíveis ataques portugueses..sinais de outras eras.

A partir dali era sempre a subir pelo alcatrão até Zarza, sendo pela mesma estrada que os atletas também regressavam de novo a Portugal, pelo que enquanto alguns subiam outros já desciam a alta velocidade.

Zarza-la-Maior é uma pequena aldeia com uma espécie de fortaleza num centro histórico algo degradado, mas pitoresco.

Para o Tiago e o Diogo significou algum descanso na Z.A., e tempo para lubrificar as bikes que já haviam perdido o óleo devido algumas ribeiras que haviam passado, para o Carlos significou uma vitória face a 2009, já que desistiu nesse ano, e para o Fernando representou o final da sua participação...

O tempo piorava a cada minuto, a chuva começava de novo a cair...e a estrada de alcatrão para Zarza estava muito exposta ao vento que aumentava rapidamente.

Não valia a pena o sacrifício, era altura de chamar o “Camião”.

A Ana chegou rapidamente com um equipamento seco e uma sopa quentinha. Agora era rumar a Idanha-a-Nova e ver o pessoal do “Ó” chegar.

Pelos trilhos, o regresso a Idanha não era fácil e havia ainda muitas subidas pelo caminho!

Aos cerca de 67 klms uma grande picada iria levar os participantes ao cimo de um conjunto de serras bem altas que proporcionaram vistas fantásticas, mas o horizonte escuro “abafou” um pouco a habitual beleza raiana.

Os klms sucederam-se e perto dos 80 klms havia mais um pouco de sofrimento já que tudo ficava de novo mais difícil.

Pelo menos não era preciso subir a Monsanto, e como tal foi possível contemplar essa aldeia ergendo-se imponente no cimo de um penhasco que se impunha à paisagem circundante.

A barragem Marchal Carmona, símbolo de tempos antigos da história nacional, foi local de passagem como aconteceu nos Trilhos da Raia que se realizam em Outubro, mas enquanto nessa prova se cruza o paredão em direcção à margem oposta onde é necessário “escalar” um trilho, desta vez os atletas foram encaminhados para as margens do rio passando pelo descarregador, sendo necessário atravessar para a outra margem na base da barragem .

Essa pequena mudança foi suficiente para que o Tiago reparasse em algo que nunca tinha visto. O paredão da barragem impressionava pela sua dimensão e  pelo enorme brasão nacional esculpido no topo, uma visão magnífica da engenharia portuguesa.

Já faltava pouco para o final, mas a saída do vale onde os participantes rolavam era feita através de uma subida significativa, que por sua vez antecedia a picada final.

É que toda a encosta de Idanha descida no início era agora percorrida de forma inversa, e as pedras da calçada estavam cada vez mais molhadas pela chuva que começava a cair, o que aumentava ainda mais a dificuldade.

Eram os klms finais, mas a inclinação brutal exigia bastante dos corpos já cansados, e cada pedalada concretizada era uma pequena vitória!

Metro após metro, o Diogo e o Tiago aproximavam-se da meta.

Mais atrás, o Carlos prosseguia o seu caminho. 2010 seria diferente de 2009 e iria chegar ao fim.

Mesmo assim ainda houve tempo para algumas peripécias, pois talvez pelo facto de rolar sem óculos, confundiu uma árvore tombada com um pequeno ramo..resultado...embrulhou-se no meio dos vários ramos e acabou por cair.

Ao subir a calçada, novo precalço. A roda da frente escorrega e a bike vira-se repentinamente para um muro. Mais uns arranhões mas pelo menos já estava perto.

Rolando juntos desde o início, o Tiago e o Diogo também chegaram em conjunto ao final, sendo recebidos pelo Fernando que lá se encontrava à espera deles.

Tinham passado 7 horas e agora é que estava mesmo a começar a chover a sério, o que seriam más notícias para o Carlos.

É que ao estar mais atrasado acabou por rolar mais de uma hora debaixo de um forte aguaceiro..

Mas a força de vontade era forte, e quando chegou lá estava a malta do “Ó” para o receber!

Seguiu-se o habitual almoço composto por um fantástico porco no espeto com arroz de feijão, tudo o que é preciso para uma boa recuperação!

O Diogo regressou a Lisboa, mas o Fernando e a sua família ficou na Comenda na casa do Tiago.

Uma maratona e muito convívio, que mais poderiam querer...? Só mesmo bom tempo mas não poderiam querer tudo!!

Até para o ano Idanha-a-Nova, de preferência com SOL!
Leiam também o relato do Fernando Duarte em: http://vidrorider.blogspot. com/