A evolução da espécie...
Embora seja um clássico para alguns elementos da “Ó” DO VIDRO, a maratona de Santarém não costuma estar nos planos do Tiago, da qual retirou uma impressão algo negativa após a participação na edição de 2007.
No entanto, uma vez que o Sérgio se havia inscrito e os comentários mais recentes apontavam algumas evoluções, acaba por se inscrever na edição de 2010 na que definiu como sendo a última prova organizada em que participaria este ano.
Mas após algumas reviravoltas o Sérgio acaba por não poder participar no evento, pelo que o Tiago acaba por ser o único representante do “Ó” na Maratona Festival Bike.
Apesar de tudo não irá sozinho, tendo-se juntado ao amigo Nuno com quem participou na Maratona Trilhos de Baco, assim como a uns quantos amigos dele.
O dia nasceu frio mas enquanto os mais de 2000 participantes se alinhavam na partida o Sol ia aquecendo os seus corpos que teriam pela frente 56 ou 80 klms, de acordo com a intenção e forma física de cada um.
A partida foi dada a horas e de imeditato milhares de rodas começaram a rolar em pleno, pese embora o primeiro desafio preparado pela organização fosse uma longa subida de alcatrão.
Não há nada a fazer, a prova começa no CNEMA que fica num vale enquanto Santarém se ergue no topo de uma colina, até porque era necessário fazer uns quantos klms por alcatrão de modo a “descompactar” o pelotão antes de se chegar aos trilhos e também para efeitos de promoção da modalidade, pois o desfile de milhares de participantes a “abrir” pelo meio das ruas chega a ser impressionante.
Assim, quando os primeios klms de terra batida surgiram, os atletas já se tinham afastado um pouco uns dos outros, isto dentro do que é possível numa prova com tantos participantes e com a separação entre circuitos a ser feita apenas perto dos 40 klms.
A maior parte dos amigos do Nuno tinham como objectivo o trajecto mais pequeno, de facto, apenas um e o próprio Nuno iriam rumar em direcção aos 80 klms juntamente com o Tiago que optou por rolar com companhia, pelo que nunca se afastou muito deles.
Talvez a principal diferença notada pelo Tiago face à sua última participação foi o facto de existirem (felizmente) mais singletracks, subidas técnicas e menos “entulho” espalhado pelos trilhos, o que se traduziu de imediato num percurso mais interessante e técnico.
Não é então de estranhar que tenham existido algumas subidas onde era necessário ir a pé, não só porque já se encontravam muito “pisadas” mas também porque era comum alguém desmontar e aí já não havia nada a fazer, os atletas amontoavam-se e sair da bicicleta era a única solução.
Tudo correu dentro da normalidade com os 3 rapazes a pedalarem juntos, até que ao klm 60 o desastre aconteceu!
Picado com o Tiago numa descida muito íngreme e repleta de valas provocadas pela chuva, o Júlio (amigo do Nuno) acaba por perder o controlo da sua Scott Scale saindo do trilho numa curva ao mesmo tempo que o guiador gira subitamente bloqueando a roda de imediato. Acaba por voar por cima do guiador e cair de forma aparatosa no chão fracturando uma costela!
O Nuno seguia logo atrás dele e pára para o assistir, mas o Tiago que seguia à frente acaba por pedalar sozinho sem se aperceber de nada durante cerca de 2 klms.
Quando finalmente pára e olha para trás a única coisa que vê é um trilho vazio, demorando ainda uns 2m até começarem a aparecer os restantes participantes que havia ultrapassado mais atrás. Ao questioná-los a resposta que obtém não é a melhor:
-“Eh pah o tipo que ia contigo de camisola azul caiu e já está a ir na ambulância...!” disse um participante.
-“Bolas será que é muito mal...?” Pensou o Tiago.
Realmente o Tiago lembrava-se de uma ambulância no final da descida numa transição com uma estrada de alcatrão. Um presságio por parte da organização de que irria correr alguma coisa mal ali.
Acabou por pedalar um pouco para trás mas o local da queda ainda se encontrava longe e por isso optou por ligar para o Nuno que lhe disse que dentro do possível estava tudo bem com o Júlio e que ele iria ser transportado para o Hospital de Santarém, como tal, não valia a pena voltar para trás já que ele pedalaria até ao Tiago para que os dois completassem os 20 klms restantes.
E assim o fizeram em grande ritmo pedalando forte até ao final de mais uma Maratona de Santarém, desta vez bem mais interessante tendo existido um claro “upgrade” ao nível do percurso que a tornou bem mais divertida.
Antes do almoço foi ainda tempo de esperar pelo Júlio que saiu do hospital com a recomendação de descansar para sarar a fractura na 10ª costela, uma costela “flutuante” segundo o próprio Júlio, Nuno e restantes amigos, tudo malta que trabalha em saúde e sabe bem do que fala.
Seguiu-se a habitual visita ao Festival Bike, mas para o Tiago e para o Nuno o dia só acabou mais para anoite com um jantar em Almeirim exactamente com o criador do novo circuito da Maratona de Santarém.
Um dia bem passado no Ribatejo. |