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Últimas      Maratona de Comenda 2010
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O segundo ano...

Numa altura em que proliferam um pouco por todo o lado eventos relacionados com o BTT, e num meio em que apenas alguns deles conseguem vingar e tornar-se verdadeiros “clássicos”, é extremamente difícil organizar mais uma Maratona.

No entanto, o Clube “COOLMENDA” repetiu “a dose” de 2009, e realizou pela segunda vez a Maratona de Comenda  TEAM COOLMENDA.

Os “locais” da “Ó” DO VIDRO Joel, Carlos e Hugo podiam agora “jogar em casa”, mas apenas o Hugo iria participar pois o dever chamou o Joel (teve que ir trabalhar...), enquanto o Carlos participou da organização do evento, andando por vários pontos estratégicos para zelar que tudo correria pelo melhor, tendo ainda servido de “guia” no pequeno “Passeio Família” de 8 klms, onde a sua filha Mariana participou.

No entanto a “Ó” DO VIDRO haveria de contar com mais duas representações; o Tiago que tem na Comenda a sua segunda casa, e o Filipe, que cada vez mais gosta do Alentejo. Além disso iriam rolar acompanhados pelos amigos Gil e Luís.

Existiram dois percursos. Um mais pequeno com cerca de 47 klms, e um outro um pouco maior com 60.

Pegando no tema que inicia este rescaldo, no mesmo fim-de-semana existiram pelo menos 3 eventos já com algum renome que “concorreram” com esta Maratona:

Um “Nocturno” organizado em Portalegre pelos Ases do Pedal, a Maratona de Elvas no mesmo dia e a de Estremoz no dia seguinte.

Não foi então de estranhar que não fossem muitos os participantes alinhados na partida (talvez uns 60 no total) em que a maior parte deles iria percorer o percurso menor.

Na verdade foram apenas 4 aqueles que aceitaram o desafio de pedalar durante mais algum tempo, sendo o Tiago um deles.

O dia estava muito quente, e foi mais ou menos a horas que foi dada a partida.

O ritmo tornou-se de imediato muito alto, já que apesar de tudo estavam presentes muitos participantes de peso do troféu de XC Norte Alentejano, e como quase todos iam apenas percorrer os 47 klms não estavam muito preocupados com a “gestão” de esforço. Era pedalar no máximo e pronto!

Apesar de ir fazer a volta maior, o Tiago resolveu entrar nos “picansos” que se estavam já a formar, e assim que sairam a alta velocidade da rua principal da Comenda em direcção aos primeiros trilhos encontrava-se já no grupo da frente.

Mais atrás o Hugo, Filipe, Gil e Luís pedalavam também a bom ritmo tendo começado logo um “picanso” pessoal que perdura há imensas Maratonas.

Tratava-se do Filipe cujo objectivo é o de um dia chegar à frente do Gil numa Maratona, mas o primeiro do alto dos seus mais de 50 anos tem conseguido sempre levar a melhor. Seria desta...?

Os trilhos da Comenda são compostos essencialmente por vários estradões cobertos de gravilha, e por vezes por seixos soltos que dificultam a marcha, principalmente nas subidas onde é comum encontrá-los.

No entanto, as grandes chuvadas que cairam neste Inverno rigoroso juntamente com os imensos jipes, tractores e motos que passam diáriamente pelos caminhos tornaram tudo ainda mais perigoso tornando-se comum encontrar valas enormes no meio dos trilhos.

-“Quando encontrarem uma placa de perigo é  porque é mesmo perigoso!” Alertou um dos organizadores no início da prova.

Tendo o percurso sido essencialmente criado pelo Carlos, o Tiago levou o aviso a sério, mas quando encontrou a primeira no início de uma ampla descida onde as fitas orientavam os atletas para uma zona de mato “roçado” não percebeu muito bem o porquê da mesma.....isto até se aperceber que há sua frente estava uma “bossa” que à velocidade em que seguia iria de certeza fazê-lo “voar”.

E assim foi!

Não houve tempo para nada senão tirar o rabo do banco e puxar o corpo para trás ao mesmo tempo que fez força no guiador para que a roda da frente ao descolar se mantivesse pararela ao chão para não aterrar de frente. O resultado foi um “drop” perfeito e talvez um pouco mais de um metro pelo ar...

Por essa altura encontrava-se já acompanhado pelo Joaquim, um “puto” de Tolosa que tem vindo a dar cartas na cateogria “Promoção” do Norte Alentejano, e que usa fita isoladora como punhos de modo a tirar peso à bicicleta!

Mas isto apenas porque ele tinha caído mais atrás e como tal já estava um pouco mais atrasado em relação a uns quantos participantes que seguiam um pouco mais à frente.

Aumentando o ritmo gradualmente, o Joaquim deu corda ao Tiago que a aproveitou para se colar na roda dele durante alguns klms, mesmo sabendo que teria que rolar durante mais tempo.

Mais atrás, o Filipe (talvez inspirado pelo música que ouvia no seu MP3) deixava para trás o Gil, e o Luís que confessou no final que a ultrapassagem “até vez vento”.

De facto durante aqueles instantes ele não conseguiu mesmo apanhar o Filipe que se distanciou rapidamente, mas que haveria de pagar a ousadia, e apenas o Hugo se encontrava à frente dele.

Enquanto isso o Tiago atravessava as primeiras ribeiras que estavam bem fundas, mas não estava virado para “cenas aquáticas” naquele dia  porque não estava a atinar com a melhor trajectória, acabando sempre na parte mais funda, o que o fez desmontar e molhar-se ainda mais.

Mas até sabia bem porque o Sol já ia alto e aquecia a paisagem com uns bons 31 graus...!

Após uma subida mais íngreme no final da qual se situava um posto de controlo, o Joaquim começa a dar distância ao Tiago, mas nessa altura já tinham os dois ultrapassado uma série de participantes.

A partir dali havia uma descida muito rápida que iria dar a uma série de trilhos muito interessantes e técnicos, com muito “parte pernas” à mistura, com destino às margens da Ribeira da Venda.

Como estava cheia de malta da Comenda a assisitir, o Tiago fez questão de não ficar atascado como nas outras ribeiras onde tinha pssado.

Embora o leito esteja sempre a mudar, aquela ribeira já foi atravessada por ele várias vezes, por isso conseguiu encontrar o caminho certo que o levou em segurança até à outra margem.

De seguida existiu uma subida complicada que levaria os participantes a umas das descidas mais perigosas do percurso.

Escavado pelo meio do mato, encontrava-se um trilho estreito e desnivelado coberto por uma fina gravilha cinza ideal para atrapalhar os participantes enquanto estes tentavam descrever da melhor forma a curva apertada à esquerda que acrescentava ainda mais dificuldade à equação.

O Gil acabou mesmo por perder ali o controle da sua Mondraker o que originou uma queda aparatosa para o meio das estevas. Resultado, uns valentes arranhões na testa e no nariz pois ele foi mesmo com a cara ao chão. Mas pelo menos tanto ele como o Luís já estavam à frente do Filipe que quebrou após o sprint.

Estando já muito próximos da Comenda, era ali a divisão para o percurso maior.

Como eram apenas 4 aqueles que o iriam percorrer, o Tiago ficou completamente sozinho.

-“Mas onde será que eles andam?” Pensava ele.

A fase final era bastante rolante, e como já conhecia bem os caminhos o Tiago começou a andar ainda mais rápido até que vê ao fundo de uma subida um dos atletas

-“Ok, não tarda passo-te!” Pensou ele enquanto aumentava a cadência.

Quilómetro após quilómetro aproximou-se cada vez mais dele, até que no último controle já estava bastante próximo.

No entanto, ao reparar que era “perseguido”, o participante que tinha pedido água ao Tocha (um amigo do Tiago que estava ajudar a organização) nem sequer agarra na garrafa arrancando logo de seguida. Isto quis dizer que nem sequer lhe marcaram o dorsal, pois além de ponto de água ali era mesmo um controlo.

Ao vêr o atleta fugir, o Tiago pega na garrafa que era para ele e nem pára, mas assim que arranca começa a ouvir gritos atrás de si.

-“Oh Tiago, vocês têm que parar aqui!!” Grita o Tocha segurando dois atilhos de plástico na mão (eram colocados atilhos de plástico em furos feitos no dorsal).

Surpreendido, o Tiago para para que lhe fosse colocado o atilho, e leva o outro para entregar ao participante que seguia à sua frente.

Como seguia num ritmo ligeiramente mais lento, o Tiago começa a aproximar-se dele numa das subidas onde grita para lhe chamar à atenção. Apercebendo-se do que se tratava, ele pára, e é o Tiago que lhe faz o “controlo” entregando-lhe o atilho.

A partir dali arrancaram os dois em conjunto para o picanso final, onde ainda ultrapassaram um participante que julgavam pertencer ao percurso maior, mas que na verdade não.

Sentido-se confiante, o Tiago acaba mesmo por deixá-lo para trás já que este não conseguiu acompanhar a pedalada.

Desta forma, e uma vez que eram 4 os participantes do percurso maior, e como o atleta que havia ultrapassado era o 3º, acabou essa por ser a posição ocupada pelo Tiago, ou então penúltimo como preferirem.

No entanto, chegou primeiro do que vários participantes do trajecto de 47 klms que ainda lutavam contra o calor cada vez mais intenso, mas não do Hugo que foi o 1º “Ó” DO VIDRO do percurso menor.

O Luís, Gil e Filipe eram alguns deles, e foi junto do Carlos que estava numa das entradas da Comenda a controlar o trânsito e a assegurar-se que todos os que saiam do último estradão seguiam pela rua certa ate à meta, que o Tiago foi vê-los passar.

Apareceu o Luís, apareceu o Gil, e por último, mas mesmo último dos últimos, o Filipe, que apenas trazia a moto vassoura atrás de si.

Mas como se costuma dizer, os últimos são sempre os primeiros, e foi após a excelente refeição de porco no espeto com arroz de feijão, e da entrega dos prémios dos vencedores dos vários trajectos, que foi sorteada uma bicicleta que calhou.....ao Filipe!

Ele foi ele o alegre vencedor de uns bons 20 Kg de Bicicleta Brazil.....e onde é que o Tiago já tinha visto aquela bike??

Pois é..., no passeio da Terrugem aquela bike foi sorteada e saiu a um dos organizadores da Maratona da Comenda que também lá estava a participar. Foi então trazida para a Comenda onde ele a entregou ao Clube COOLMENDA que por sua vez definiu que seria para sortear na sua própria Maratona. Sorteio feito e é o Filipe da “Ó” DO VIDRO que acaba por ser o premiado!

Sem dúvida um dia bem passado, e repleto de trilhos bonitos, rápidos e interessantes!

Mais uma aventura da “Ó” DO VIDRO.