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A beleza da Arrábida...

Apesar de ter decidido que Santarém seria a última Maratona em que participaria em 2010, o Tiago ainda foi desafiado pelo seu amigo Nuno a pedalar em mais um evento, pelo que acabou por ir representar a “Ó” DO VIDRO na Maratona da Tasca do Xico no Pinhal Novo.

É sempre bom quando as provas são minimamente perto de casa, pois pelo menos não é necessário dormir poucas horas, acordar de madrugada e calcurrear centenas de klms para cada lado, o que acaba por ser não só dispendioso mas também cansativo.

O Pinhal Novo é bem perto de Lisboa e como tal foi num instante que os rapazes lá chegaram, o que calhou bem já que as filas para ir levantar os dorsais eram extensas e lentas.

Já com os mesmos colocados nas bicicletas, era tempo de alinhar à partida que começava já a ficar “composta” com as largas centenas de participantes (uns 700) a comporem uma moldura humana bastante interessante e colorida.

O tempo estava agradável, não havia vento e parecia que não ia chover já que o Sol brilhava por cima dos atletas que arrancaram furiosamente assim que foi dada a partida.

A cidade de Pinhal Novo fica precisamente no meio de uma enorme planície, por isso não foi de estranhar que os primeiros klms da Maratona fossem feitos em plano quase perfeito, o que permitia alongar o pelotão e pedalar muito rápido em direcção à Serra da Arrábida que se erguia imponente no horizonte.

Era lá que seriam feitos a maior parte dos klms e onde as subidas esperavam aqueles que decidiram participar nesta aventura, mas não só, todo um conjunto fantástico de singletracks estava pronto a receber os participantes da Tasca do Xico e antecipavam klms de adrenalina.

Mas primeiro era preciso andar forte pelo meio das zonas de areia que cobriam muitos dos trilhos. Por vezes era tão densa que a melhor solução era mesmo pedalar fora do troço diectamente pelo meio dos arbustos, lavrado e ervas daninhas, bem mais fáceis de “domar” do que a areia.

Perto de Palmela chegaram as primeiras “paredes”, estas ainda não muito técnicas mas íngremes o suficiente para “moer” as pernas, ou então aquecê-las para os trilhos mais fechados que se encontravam lá mais para a frente.

Nesta fase o Nuno não estava muito atrás do Tiago, chegando os mesmos a rolar juntos durante algum tempo, mas após algumas pedaladas mais fortes, o Tiago distancia-se. Desta vez estava determinado a dar o “máximo”, a “deixar lá a pele” se fosse preciso.

A malta do “Ó” é rija, já o demonstrou ser noutras ocasiões e portanto cabia ao Tiago manter esse espírito.

Após alguns klms percorridos dentro da Serra da Arrábida, o rapaz da “Ó” DO VIDRO apercebe-se de que na verdade já conhece aqueles trilhos, pois já tinha pedalado neles anteriormente com o amigo Luís, com quem também já foi a alguns eventos este ano como a Maratona do Centro, as 3h de Resistência de Leiria ou a Maratona de Comenda.

E que bela é a Arrábida pois existem trilhos de todo o tipo e feitio.

A organização merece uma nota extremamente positiva na escolha dos caminhos pois conseguiu incutir nos participantes a vontade de descobrir o klm seguinte já que pedalar ali estava a ser um verdadeiro prazer.

Os singletracks técnicos e rapidíssimos a descer tornavam-se verdadeiras “montanhas-russas” com os seus ganchos apertados a 90 graus seguidos de pequenos “picos” os quais requeriam uma rápida transição de mudanças e alguma força de pernas para serem superados sem perder balanço para  a descida seguinte.

Até as subidas se tornaram espectaculares de serem percorridas pois não só possuiam uma inclinação elevada, como algumas estavam cheias de pedras, raízes e valas, que tornavam tudo mais difícil mas também interessante, além de quanto mais se subia melhor se perspectivava a vista do topo.

O Tiago ainda apanhou um susto num trilho mais fechado quando uma abelha resolve entrar para dentro da sua orelha direita ficando presa nela.

Um pouco em pânico com o zumbido ensurdecedor da abelha aprisionada e prevendo uma picada no interior do ouvido, a reacção foi tentar expulsá-la com o dedo, o que resultou, mas não antes sem uma valente picada na cartilagem.

A orelha ficou de imediato muito quente como se fosse explodir, mas o inchaço  que seria habitual não chegou a aparecer....menos mal, deu para continuar a pedalar e passados alguns momentos tudo voltou ao “normal”.

Chegados ao topo, os atletas foram brindados com uma vista brilhante! O mar que já se tinha deixado timidamente ver uns klms atrás estava agora ali, orgulhoso enquanto se misturava com as águas do Sado banhando juntos a Península de Troia.

É destes momentos que vive este desporto, e mesmo que muitas vezes o esforço e o cansaço “turvem” a visão, vale sempre a pena aproveitar os mesmos.

A partir dali a prova assumia um cariz descendente de novo até Palmela, mas aqui estava o último GRANDE desafio.

Após rolarem durante algum tempo numa estrada de alcatrão bastante degradado, os participantes eram encaminhados não para uma subida, mas para uma verdadeira parede de escalada coberta de pedras soltas enormes que os levaria ao topo de uma espécie de cordilheira que separa a Arrábida das planícies onde está situado o Pinhal Novo.

Era também ali que os dois percursos (Maratona e Meia-Maratona) se juntavam, o que aumentava o número de atletas estafados e complicava ainda mais tudo.

Tendo vindo sempre no máximo, o Tiago acaba por apanhar ainda muitos atletas do percurso mais pequeno que vinham mais atrasados e cansados, pelo que por vezes não foi fácil escolher o melhor trilho para caminhar com a bicicleta à mão.

Foi ali que acabou por ser passado por 3 atletas com os quais vinha “picado” à vários klms. Eles caminharam mais rápido que ele e uma vez chegados ao topo nunca mis os viu!

E que topo! Tratava-se de uma rocha enorme muito escorregadia o que exigia um enorme cuidado na sua transição. Cair naquela altura do campeonato seria “morrer na praia”, e por isso o Tiago coloca a bike às costas e lentamente transpõe o obstáculo já com os olhos postos no singletrack à sua frente.

-“Atenção deixem passar que é da Maratona!!” Gritava um elemento da organização para uns quantos participantes do circuito mais pequeno que seguiam a um ritmo bem mais lento.

De facto, o singletrack era muito divertido e “pedia” para ser feito muito rápido.

A partir dali era só pedalar forte até ao final porque não havia nada mais do que estradões e estradas planas até à meta.

Os dois rapazes chegam ao final quase sem problemas, o Tiago bastante cansado mas satisfeito com o seu tempo, e o Nuno um pouco desapontado com o seu azar, já que uma série de furos fizeram com que perdesse pelo menos uma hora.

A Tasca do Xico é conhecida pelo “banquete” que é servido em jeito de casamento no final e este ano não foi diferente.

O salão dos Bombeiros foi completamente transformado numa gigantestca sala de refeições e nem faltou um animador a tocar umas quantas músicas.

Sem dúvida um evento a repetir e mais uma aventura para a “Ó” DO VIDRO.