A Maratona de Verão...
Não sendo um dos locais mais inóspitos e acidentados de Portugal, a Vidigueira será sem dúvida um dos mais quentes em Agosto e é isso que ano após ano dificulta ainda mais a progressão pelo “sobe-e-desce” tão característico do Alentejo.
O Sérgio e o Tiago da “Ó” DO VIDRO não quiseram deixar de fora do seu calendário esta mítica prova do BTT nacional, e rumaram à Vidigueira com os cerca de 70 klms e 1200m de acumulado em mente.
Mas desta vez não foram directos, na verdade, o fim-de-semana começou logo no Sábado com a viagem até à aldeia de Pedrogão, bem perto da Vidigueira, onde os rapazes puderam pernoitar na casa de familiares do Sérgio.
E por falar em Sérgio ele não se estava a sentir lá muito bem. Uma virose fez questão de o debilitar durante a semana que antecedeu o evento e na véspera do mesmo as certezas de uma participação ainda não eram positivas, sendo no entanto certo que se participasse dificilmente iria estar à altura do ritmo que os últimos treinos lhe tinham dado.
O dia amanhaceu....quente....e apesar de serem apenas 7.30 da manhã o Sol já queimava na pele, ideal para a desidratação!
Tendo acordado um pouco melhor, o Sérgio toma a decisão de ir participar, deixando no entanto em aberto a hipótese de optar pelo circuito de 40 klms em detrimento da prova de 70 para a qual se havia originalmente inscrito.
Este ano a organização optou por alargar um pouco mais o número de inscrições e pareciam bem mais de 1000 os presentes à partida.
Após as habituais palavras de agradecimento por parte de organizadores e Presidente da Câmara, os atletas já só pensavam em pedalar, ou pelo menos em não estar parados debaixo de um Sol que por esta altura já estava escaldante!
E escaldantes ficaram logo as coisas assim que foi dada a partida, pois o ritmo revelou-se bastante forte desde cedo. Pelo menos foi assim que o Tiago o entendeu, pois como arrancou bastante atrás quis chegar-se o mais rapidamente possível perto dos grupos da frente, já que neles existem menos riscos de “engarrafamentos” quando os trilhos estreitam no início.
Mas a massa humana era tão densa que tal tarefa se tornou complicada, até porque a confusão inicial pode sempre dar azo a algumas quedas o que não é desejável para ninguém.
Ainda assim conseguiu ser esquivo o suficiente para conseguir deixar várias centenas de participantes para trás durante os primeiros klms de alcatrão, mas foi assim que as rodas pisaram os primeiros estradões que tudo se tornou mais complicado.
O terreno estava extremamente seco e os trilhos cobertos por uma fina camada de pó que penetrava em tudo, equipamento, bicicleta e nariz, o que neste último caso dificultava bastante a respiração.
Além disso, assim que as milhares de rodas em movimento “levantaram” esse pó pelo ar a visibilidade nunca mais foi a mesma, tornando-se por vezes perto de nula.
Os rapazes da “Ó” DO VIDRO não viam mais do que o atleta que estava directamente à sua frente, o que tornava as coisas bastante perigosas já que era impossível prever a chegada de buracos, valas, pedras....dava quase a sensação de pedalar à noite, quando as luzes por mais fortes que sejam apenas iluminam alguns metros à frente das rodas...um bom treino para as 24H!
O percurso de 2010 foi completamente alterado face aos anos anteriores, o que significava por exemplo que a passagem pela Aldeia de Alcaria fosse feita logo ao klm 12, bem perto do início, o que marcava também o início da subida para o Mendro, e não o final como já o foi no passado.
Na verdade, os atletas não iriam às célebres “antenas” do Mendro, mas andariam antes klms a fio pelo meio daquela serra num sobe e desce constante que desgastava a cada metro, a cada quilómetro...!
As primeiras Z.A. foram deixadas para trás mas a organização fez questão de colocar alguns pontos de água espalhados pelo percurso, ideais para matar a sede.
Apesar de poeirento, o terreno do percurso revelou-se muito duro com bastantes pedras, raízes e mesmo alguns ramos partidos, sendo que todos aguardavam ansiosamente por um pneu mais distraído que pudessem furar e rasgar!
Vários foram os furos que o Tiago viu, mas foi perto da separação entre percursos que um atleta mais aflito tentava desesperadamente encher uma roda tubless que insistia em espirrar slime por todo o lado. Apercebendo-se de que ele não tinha câmera de ar e que o pneu estava prestes a perder todo o ar, o Tiago cede-lhe a sua “Slime Tube” juntamente com um desmonta. Faz parte do espírito “Betetista” ajudar o próximo!
É também nesse ponto que o Sérgio toma a decisão de prosseguir para o percurso maior, apesar da virose e do calor. Sem dúvida uma prova de resistência!
Mas o “parte pernas” não parou, muito pelo contrário!
Foi já bastante para lá da aldeia de Santana que o percurso começou a “aplanar” mais um pouco, possibilitando um ritmo mais forte, mas o calor insuportável e os klms acumulados dificultavam tudo isso e se por um lado não havia vento, o que tornava o ar à volta dos atletas semelhante à sensação de estar numa sauna, por outro, em terrenos mais abertos, soprava uma brisa que apesar de refrescar acabava também por aborrecer, já que vinha de frente para os atletas o que dificultava a sua progressão.
Pedalada após pedalada e Vila de Frades é já ali, e dessa localidade para a Vidigueira já falta pouco, muito pouco.
Cansado, mas empenhado em fazer um bom tempo, o Tiago tenta manter um ritmo elevado, mas não consegue evitar ser ultrapassado bem perto do final pela segunda atleta feminina no pódio que seguia muito bem. Além dela, apesar de ter deixado bastantes participantes que seguiam no seu “grupo” para trás, houve dois atletas que o haviam ultrapassado no início que também não conseguiu dobrar até ao final, apesar de constantemente os ver à sua frente.
De facto a perseguição continuou mesmo até ao cimo da rua onde ficava situado o final da prova, o qual não foi junto aos bombeiros onde foi dada a partida, mas sim no Jardim do Largo Frei António Chagas.
E que bom foi relaxar à sombra das árvores desse jardim no final!
Estavam feitos mais 78 klms em 3h e 13m no caso do Tiago o qual bebeu uns bons litros de água e isotónico no final enquanto esperava pelo Sérgio, que demorou mais um pouco.
Mas terminou em grande! Apesar de todas as dificuldades chegou ao final como de resto é seu apanágio!
Após tanto calor em prova era tempo para um banho refrescante, para que depois os atletas pudessem de novo...suar...!
É que ano após ano o almoço desta prova é servido numa verdadeira estufa, pois o pavilhão em causa não tem condições para servir de espaço para refeições.
Apesar de terem perdido litros de água, o Sérgio e o Tiago descobriram quem ainda tinham mais alguma para suar, enquanto finalmente comiam após estarem uns bons 40m em pé à espera de receberem o seu almoço.
Sem dúvida um ponto a melhorar!
Mas não é isso que abala o pessoal da “Ó” DO VIDRO e para o ano lá estaremos de novo nesta Maratona de Verão na Vidigueira, essa bela localidade! |